Jornadas de Presença — acordos da jornada
- Adnan Brentan

- há 1 dia
- 4 min de leitura
“Para alcançar o que não conheces, precisas percorrer caminhos que não conheces.”
São João da Cruz

Um posicionamento
A partir de agora, o nível mais essencial das atividades que oferecemos passa a seguir estes acordos.
Entendemos que já existem muitas opções excelentes que proporcionam experiências mais próximas do que o ambiente urbano já é — conectadas, estimuladas, dinâmicas, sociais.
E isso tem o seu valor.
Mas a nossa proposta é outra.
Por isso, escolhemos radicalizar — no sentido mais essencial da palavra: ir à raiz.
Criar um espaço que se afasta, em alguma medida, do excesso de estímulos, da fragmentação da atenção e da lógica habitual do cotidiano.
O que é uma Jornada de Presença
Uma Jornada de Presença é mais do que uma caminhada na natureza ou uma viagem.
É um espaço de atenção, contemplação e reconexão com o ritmo humano.
Entendemos que, para viver uma experiência extraordinária, é preciso um formato igualmente extraordinário.
Uma vivência que busca mais do que entreter: transformar.
E, para isso, é necessário sair do ordinário, do comum, do habitual.
Para que essa experiência aconteça em sua profundidade, caminhamos sustentando alguns acordos simples de presença.
Eles não são imposições.
São condições que ajudam a proteger o campo da jornada.
Os acordos
1. Desconexão digital — desconectar para conectar
Durante as trilhas, os celulares permanecem em modo avião na maior parte do tempo — inclusive o do guia.
Essa desconexão cria um espaço de atenção mais livre de estímulos externos e permite uma reconexão mais profunda com a natureza, com o grupo e consigo mesmo.
Fotos e vídeos podem ser feitos normalmente, desde que o aparelho permaneça desconectado.
Se a ideia de ficar algumas horas sem conexão digital parecer difícil, talvez esse seja justamente um excelente motivo para experimentar.
A trilha oferece um pequeno intervalo no fluxo constante de mensagens, notificações e estímulos — um breve detox digital que ajuda a recuperar algo cada vez mais raro:
a atenção voltada ao momento presente.
2. Momentos de silêncio
Toda Jornada de Presença inclui trechos de caminhada em silêncio.
O silêncio não é ausência de convivência, mas uma forma de ampliar a percepção.
Quando as conversas cessam por um tempo, muitas coisas se tornam mais nítidas:
• os sons da natureza
• a respiração
• o corpo em movimento
• os próprios pensamentos
Esses momentos ajudam a transformar a trilha em uma experiência mais contemplativa — e, por isso mesmo, mais terapêutica.
3. Fotografia como contemplação

A fotografia pode ser uma forma profunda de contemplação da natureza.
Fotos e vídeos ampliam a nossa memória e, no futuro, podem se tornar um elo com um momento especial vivido na trilha.
Por isso, a proposta é manter o olhar primeiro na experiência — e não na exposição posterior.
A proposta é simples:
• contemplar antes de fotografar
• registrar o que toca o olhar
• evitar transformar a trilha em um ensaio centrado em si mesmo
A natureza é protagonista da jornada.
4. Cuidado com o campo do grupo
Uma Jornada de Presença é, ao mesmo tempo, uma experiência individual e coletiva.
Cada participante contribui para o clima da caminhada por meio de sua presença, sua escuta e sua forma de se relacionar com os outros.
Isso inclui respeitar os momentos de silêncio, evitar conversas excessivas ou temas desalinhados com o espírito da jornada e manter um cuidado natural com o ambiente humano que se forma durante a trilha.

Quando o campo do grupo é cuidado, a experiência se torna mais profunda para todos.
5. Respeito com o ambiente
A natureza não é apenas cenário da trilha.
Ela é parte central da experiência.
Por isso, buscamos caminhar com respeito pelo ambiente que nos recebe.
Isso inclui cuidados simples:
• não deixar resíduos
• não retirar elementos da natureza
• respeitar fauna e flora
• cuidar dos lugares por onde passamos
Mas também envolve um cuidado mais sutil:
• evitar ruídos desnecessários
• manter conversas em tom adequado ao ambiente
• preservar a atmosfera da trilha
Respeitar o ambiente é permitir que a natureza continue sendo protagonista da jornada.
Mais do que um passeio
Esses acordos ajudam a criar o espaço para que a trilha seja mais do que um passeio.
Uma verdadeira Jornada de Presença.
Por que isso importa
Vivemos em um tempo de excesso.
Excesso de estímulos.
Excesso de informação.
Excesso de imagens, de vozes, de opiniões, de notificações.
Um fluxo quase contínuo que ocupa o olhar, a atenção e, muitas vezes, o próprio espaço interior.
Nesse cenário, o silêncio se torna raro. A presença se fragmenta. E aquilo que é mais íntimo e verdadeiro em nós acaba ficando soterrado pelo ruído.
Os acordos da Jornada não são regras por si mesmas.
São, na verdade, pequenos gestos de proteção:
• proteção da atenção
• proteção da experiência
• proteção de um espaço interno que, no cotidiano, quase não encontra lugar para emergir
Ao reduzir estímulos, algo começa a se reorganizar naturalmente.
O olhar desacelera.
A percepção se amplia.
O corpo volta a ser sentido.
E uma escuta mais profunda se torna possível.
Não se trata de impor uma forma.
Mas de criar as condições para que algo essencial possa aparecer.
Porque, muitas vezes, não é preciso acrescentar mais nada.
É preciso apenas abrir espaço.
E permitir que aquilo que já está aí — em silêncio — finalmente possa ser percebido.
Eleve-se com Gilgamesh




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