O Que a Visão Expandida Desperta
- Adnan Brentan

- 14 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Quando a trilha termina, mas a Jornada continua.
Travessia: o que a Visão Expandida continua fazendo

Há cerca de um ano, quando o nome Jornada para Visão Expandida pousou em mim — leve e preciso — eu ainda não imaginava a profundidade do que estava nascendo. Meses depois, no Monte Roraima, vivi uma experiência tão transformadora que me abriu a visão de modo irreversível. Ali compreendi: essa jornada poderia ser uma oferenda. Um caminho para que outras pessoas também tocassem a clareira interior que havia se aberto em mim.
Após meses de preparação, onde pude configurar os 9 portais da jornada, em agosto, enfim, partimos: sete aventureiros atravessando a natureza por fora e por dentro. Minha missão era simples e imensa ao mesmo tempo: reverberar, da forma mais fiel possível, a experiência que havia vivido e incorporado.
A fala de todos logo após a expedição foi muito positiva, mas nos dois meses que se seguiram houve um silêncio. Recentemente, senti um chamado silencioso mas exigente para procurar cada pessoa que viveu a Jornada. Eu queria saber o que tinha ficado, o que continuava se movendo, o quanto a Visão ainda respirava em cada um. Eu suspeitava que a Jornada seguiria ressoando. Que uma visão, uma vez aberta, não se fecha. Ela continua trabalhando. Ela mexe. Ela reorganiza.
Mas a força dos relatos me surpreendeu.
Quase todos descrevem a mesma cena interior:
• uma clareira aberta no meio da vida
• prioridades sendo revistas
• caminhos profissionais mudando
• relações se reordenando
• questões antigas voltando como quem pede resolução definitiva.
Nesse ponto, as palavras do Portal da Abertura retornaram com clareza dentro de mim, como confirmação silenciosa do que estava acontecendo:
“A Visão não se impõe; ela se revela onde há espaço.”
E é exatamente esse espaço — essa clareira — que muitos relataram ter sentido se abrir.
Muitos disseram estar vivendo um vácuo: uma espécie de intervalo entre o que foram e o que serão. Um espaço fértil, embora um pouco desconfortável.
Exatamente como o ventre da baleia, de Campbell — o lugar onde o herói é engolido pelo mistério para ser recriado por dentro.
Ou como a Noite Escura da Alma, de São João da Cruz — quando Deus apaga todas as luzes para que a alma aprenda a enxergar pela luz que nasce de dentro.
Ou ainda como o casulo, essa morada silenciosa onde a lagarta literalmente se desfaz para que suas asas possam ser formadas.
E aqui, mais uma vez, a própria Jornada trouxe sua sabedoria, através das palavras do Portal do Silêncio:
“O Silêncio é o ventre onde a Visão é gestada.”
A verdade é simples e profunda: a Jornada não termina na trilha. A trilha é apenas o portal. O trabalho real continua depois — na vida cotidiana, nos silêncios, nos estranhamentos, nas reorganizações invisíveis.
E aqui reconheço algo essencial: eu também estou passando pelo mesmo processo. Minha energia mudou, meus ritmos mudaram, meu trabalho está sendo reordenado. A mesma clareira que se abriu neles se abriu em mim.
Por isso, hoje tenho uma certeza serena: o Visão Expandida é real.
É vivo. E continua agindo muito depois da última subida.
Outro ponto profundo emergiu desses reencontros:
a maioria deles recebeu uma visão silenciosa de quem serão.
Não um plano, não um mapa, não um manual. Mas uma sensação íntima, um chamado do eu futuro.
O que ainda não sabem — e isso é natural — é tudo o que precisa ser ajustado, solto, purificado ou reorganizado para que essa versão possa, enfim, se manifestar por completo. E é justamente isso que os está pegando de surpresa.
Eles pediram: “Quero ser minha melhor versão.”
E a Vida respondeu: “Então vamos retirar o que não é, para revelar o que é.”
Essa dissolução do antigo não é castigo — é nascimento. É o caminho natural de quem está sendo afinado com uma vibração maior. É o preparativo silencioso da metamorfose — o instante anterior à apoteose, quando o herói ressurge não por força, mas por rendição.
E é aqui que o Portal da Singularidade ilumina a travessia com sua verdade própria:
“Quando vivo minha singularidade, torno-me sinal de coerência.”
Porque o ventre da baleia, o casulo e a noite escura não são punições: são úteros. São salas de costura do espírito. São oficinas divinas onde identidades antigas se desfazem para que algo mais verdadeiro possa emergir.
E, nesse ponto, algo luminoso se revela: o Eu do Futuro já está em vias de se manifestar. A forma ainda não está nítida. A travessia ainda está turva. Mas a afinação já foi dada. A alma já reconheceu o caminho. A Visão já se abriu.
E porque ela se expande em mim e se expande nos outros, então ela já não é mais minha. Ela é do Caminho.
Se você leu até aqui e algo mexeu contigo, algo te chamou:
Firme a Visão e aceite o chamado para a Expansão.
Outra Jornada completa já está programada, e também há a possibilidade de atravessar portais individuais em trilhas aqui mesmo na região. E digo com honestidade: não é apenas uma possibilidade — é uma certeza sobre a força desse processo. Mas não vou iludir ninguém: é um ato de abertura, de confiança e, sobretudo, de coragem. É desafiador. Mas profundamente compensador.
A clareira já está diante de você.
O próximo passo é seu.







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