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  • Adnan Brentan

Guiar nas trilhas

Guiar no dicionário: 1. acompanhar, mostrando o caminho ou servindo como cicerone; orientar, conduzir;. 2. dar proteção a; amparar, socorrer.


Primeira guiada em maio de 2009

Refletindo aqui no porque me tornei guia nas trilhas já com 37 anos?

Por que recentemente preferi deixar uma pseudo-carreira de quase 30 anos numa das áreas mais atrativas da atualidade, que remunera bem, que é o mundo da informática?

Começando pela motivação mais vulgar: Já não me encaixava direito na área de informática fazia algum tempo. A grana era boa mas o desgaste também era. Estava numa fase (longa) onde os problemas do trabalho estavam afetando minha qualidade de vida.

Então, como uma forma de aliviar as tensões e me reciclar voltei a ir para o mato, subir montanhas, coisa que não fazia a mais de 15 anos. Foi a minha salvação (e continua sendo). Na época também era membro da Associação Cultural Nova Acrópole onde era voluntário. Lá, entre outras coisas, amadoramente, ministrava aulas de filosofia e apoiava em outras áreas. Mas existia mais um ingrediente. Desde a adolescência, embora tímido, apresentava uma inata capacidade de reunir e organizar pessoas para alguma atividade, encontro ou passeio e na Nova Acrópole pude aprimorar esta capacidade sendo responsável por organizar viagens e eventos durante algum tempo. Pouco tempo depois de recomeçar com as trilhas, fui convidado e incentivado a organizar este tipo de atividade por lá. E assim comecei a compartilhar, como hobby, a maravilhosa experiência de estar em ambientes naturais e neles vencer alguns desafios. Tudo foi muito natural e evoluiu com o tempo. Mesmo deixando de fazer parte da associação em 2013, continuei com as atividades do Gilgamesh e faz quase dois anos que me dedico somente a este sacro ofício.


Mas, refletindo com mais cuidado, a questão vai bem mais além do que isso. Há motivações internas e, na época, parcialmente inconscientes:

Jaz fazia algum tempo que desejava poder ser uma discreta influência positiva para as pessoas que se aproximam de mim, não objetivamente pela fala, mas por poder criar um ambiente (campo) de confiança, de segurança. Não uma segurança por ausência de medo e sim por um sentimento de coragem. Como se alguém na minha presença pudesse dizer: Quando estou com o Adnan eu posso me permitir (escolher) ser corajoso. A mesma coragem genuína de uma criança, protegida pelos pais e pela inocência, que se permite correr riscos porque sabe que será amparada se falhar. Ela sabe que pode arriscar-se a tentar o melhor, ela pode errar, ela pode ousar em segurança. Ansiava ser respeitado não pelo medo ou por algum poder outorgado, mas pela aura de confiança e coragem. Percebo que, de alguma forma, consigo alcançar isso nas atividades que realizo como guia. Naturalmente os grupos que formo são ordeiros, mais comportados, até mais silenciosos. Percebo que, no geral, as pessoas estão mais relaxadas, mais confiantes para exercitar a coragem. Não preciso de muito esforço para criar um clima de confiança e colaboração na trilha.

Como guia, posso servir aos demais, posso criar oportunidades para que possam ter seus momentos de lazer e, mais que isso, possam se arriscar, se desafiar, se aventurar e consequentemente crescer em algum grau.

A remuneração deve ser uma consequência natural por poder servir (prestar este serviço).

Mas não ache que é só alegria e beleza, pois a grana é curta, há os desafios constantes de "lidar" com as pessoas e ainda há todos os outros desafios que acompanham o empreender.


“Escolha um trabalho que você ama e você nunca terá

que trabalhar um dia sequer na vida” – Confúcio, filósofo


Adnan - Montívago e aventureiro





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