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  • Adnan Brentan

Eu não quero passar perrengue!

Após a última aventura que realizamos uma das clientes escreveu no grupo:

"Adnan mais uma vez gratidão, você é sinônimo de superação."

Eu fiquei com esta fala na cabeça e, mais ou menos inconscientemente, deixei ela processando por lá, no inconsciente. Será que sou mesmo?

Acordei hoje com vontade de "falar" sobre o assunto.


Sei que já falei sobre o tema diretamente e indiretamente em mais de um "artigo", mas como afirmei uma vez: "não importa o quanto tudo já foi dito, tudo precisa ser dito de novo."

Talvez desta vez faça mais sentido para algumas pessoas. (ou tenham menos preguiça de ler)


"Como inovar? Primeiro, tente ficar em apuros. Estou falando de problemas sérios, mas não terminais. Eu acredito - mais que uma especulação, trata-se de uma convicção - que a inovação e a sofisticação surgem de situações iniciais de necessidade, de maneiras que vão muito além da satisfação dessa necessidade. A ideia permeia a literatura clássica: em Ovídio, é a dificuldade que desperta o gênio (ingenium mala saepe movent), o que no inglês por ser entendido como: "Se a vida te der limões..."." Nassim Nicholas Taleb - Anti-frágil


Em algumas falas de abertura das minhas atividades na natureza (pequenas aventuras) eu me pego repetindo a ideia de que naquele dia estaremos expostos a alguns medos mais primitivos, porém verdadeiros, pois a maior parte dos medos corriqueiros em nossas rotinas são intromissões do ruído coletivo em nossas vidas e, a grande maioria deles, não vem a acontecer. O coletivo através da mídia/imprensa/redes sociais liga uma infinidade de sinais vermelhos (ou amarelos) que mais fazem nos deixar ansiosos, angustiados e temerosos. Com o intuito de nos informar e proteger, nos imobilizam ou nos levam a tomar escolhas baseadas nas exceções (medo) ao invés das boas práticas (coragem). O efeito colateral e menos perceptível é que assim abrimos mão do crescimento ou, o que é bem mais grave, decaímos na capacidade de reação quando o perigo real se manifesta. Quando tentamos evitar todos os riscos em nossas vidas acabamos, se tivermos sucesso, mais cedo ou mais tarde, nos colocando em situações de maior risco real e sem chance de reação. Ao invés de treinarmos nossas habilidades para resolver problemas tentamos fugir deles e ficamos muito mais expostos a colapsar em situações mais desafiadoras, porque, queiramos ou não, os problemas reais e os desafios sempre vão nos achar.



Por isso, para mim, um dos objetivos intrínsecos numa atividade na natureza é expor os participantes a doses de dificuldades físicas e psicológicas (colocar as pessoas em apuros) para que possam treinar sua capacidade de reação aos desafios.

Acredito, como ser humano que busca a anti-fragilidade e o crescimento, que só reduziremos a fragilidade geral de nossas sociedades ao tornarmos os indivíduos menos frágeis, mais aptos e corajosos. Carrego uma convicção empírica de que ao tentar deixar as atividades totalmente seguras, estaremos tornando as pessoas inseguras.


Por isso, quando criei o ainda na época grupo e agora empresa Gilgamesh Cumes e Trilhas, quase ao mesmo tempo nasceram duas máximas originais. A mais evidente e que agora até faz parte da logomarca é o "Eleve-se na trilha" que além da literalidade de subir uma montanha também representa o espírito de elevação individual, de superação, de aperfeiçoamento. E outra que aparece menos nas falas e textos, mas que é um pré-requisito para o "elevar-se" é a de que "O esforço não é opcional!". Não existe conquista e crescimento sem esforço. Aliás, só consideramos uma conquista se houve esforço envolvido. Ser carregado para o cume de uma montanha de helicóptero para apreciar a vista em nada se equipara ao ato de ter subido com as próprias forças e se deslumbrar com a paisagem.


Taleb no mesmo livro aborda o fato de que já nos habituamos com o conceito de estresse pós-traumático, que é prejudicial, porém, menos abortado, mas igualmente importante é o crescimento pós-traumático. Nós suavizamos esta ideia através da expressão "formação de caráter" que nada mais é que a natural necessidade de passarmos por algum nível de "perrengue" para que nos aperfeiçoemos em qualquer atividade humana (não só humana, pois toda natureza evolui assim).



Então, não tenham ilusões a respeito de uma suposta "trilha fácil":

- A trilha vai ser difícil! Fácil é algo que você pessoalmente já domina e mesmo assim, às vezes, o fácil volta a ser difícil.

- A natureza é anti-frágil e por isso mesmo vai nos desafiar a nos tornarmos menos frágeis.

- O sentimento de satisfação e contentamento é diretamente proporcional ao nível de dificuldades que superamos para finalizar a trilha.

- Quando elevamos nosso estado de espírito para superar desafios, nos elevamos em tudo. Inclusive na capacidade de reconhecer a beleza nos cenários (contemplação) e esta beleza também nos impacta profundamente.

- Gosto de repetir outro axioma: "A pessoa que começa uma trilha difícil e bela não é a mesma que termina!". Não voltaremos os mesmos (ainda que temporariamente).


Então quero afirmar que quando feitas com a mentalidade correta:

"Trilhas na natureza são sinônimo de superação."


Eleve-se na trilha!


"Aquele que está bem pode fazer muita coisa supérflua e insensata. Quando termina o bem-estar e começa a aflição, começa a educação que a vida nos quer dar."

Hermann Hesse - Guerra e Paz



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